História de uma noite (One Night Story)

Português 🇧🇷

E no leito do asfalto
Os líquidos se misturavam pelo chão,
Não sabiam os sábios
Se aquilo era água, café
Chocolate quente ou
Suor.
Ou lágrima.
Mal podia-se ler no guardanapo
Ou papel qualquer
A poesia que se escrevia
Com um saco azul cheio de esperanças
E uma vassoura mágica;
Era com ela que viajava
O teimoso pensamento.

Via-se por outrora
Uma sacola e um albatroz.
Ambos em uma dança sensual
Com o vento aqui do norte,
No final não se sabia
Qual era qual
Quem era quem,
O albatroz não se conteve
Em deixar para trás
Seu enrosco e fugir
Deixando sua marca na história
Daquele plástico rasgado
– no mesmo chão que se esparramava o chorume –
Sem condições de entrar
No paraíso.

O saco azul de esperança
Era o paraíso para a mão
E para o lixo.
O lixo é arte e a arte
Está no íntimo de cada ser
Que se encontra nesse habitat
Onde de dia só sorrisos
E a noite desilusão.
Aquele imenso leito de asfalto
Guarda em suas vagas
O abrigo da solidão
De muita gente.

É alta madrugada,
O cenário agora já faz parte do passado;
Apenas revive como fênix
Na gravação que a vida
Se encarregou de contratar.
A lua se encarrega de ser a embaixadora
Dos sonhos carregados de fé,
Pois em campo aberto
O camundongo desvia
Dos predadores
Em busca do seu queijo ideal.

É alta madrugada
É alta a tensão
É diferente a visão das ruas,
De um lado a cidade é alegria
Do outro
Solidão.

Inglês 🇨🇦

One Night Story

And on the asphalt bed
Liquids mingled on the floor,
Did not the wise know
If it was water, coffee
Hot chocolate or
Sweat.
Or tear.
Could hardly read on the napkin
Or any paper
The poetry that was written
With a blue bag full of hopes
And a magic broom;
It was with her that she traveled
The stubborn thought.

It was once seen
A tote bag and an albatross.
Both in a sensual dance
With the wind here from the north,
In the end it was not known
Which was which
Who was who,
The albatross did not hold back.
In leaving behind
Your twist and run away
Leaving your mark on history
From that ripped plastic
– on the same floor that spilled the leachate –
No conditions to enter
In Paradise.

The blue bag of hope
It was paradise for the hand
And to the trash.
Trash is art and art
It is in the intimate of each being
What is in this habitat
Where by day only smiles
And the night delusion.
That huge asphalt bed
Guard in your places
The Shelter of Loneliness
A lot of people.

It is high dawn,
The scenario is now part of the past;
Only revive as a phoenix
In recording that life
He took care of hiring.
The moon is in charge of being the ambassador
Of the dreams loaded with faith,
For in the open field
The mouse deflects
Of predators
In search of your ideal cheese.

It’s high dawn
The tension is high.
It is different from the view of the streets,
On one side the city is joy
From the other
Loneliness.

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TORONTO IN POESIAS | Neighborhood

Dear readers, good evening. Now it’s forty-nine minutes of May 28, 2018 and I inaugurate at this moment the programming of the Toronto in Poesias (#torontoinpoesias) artistic project.

The Toronto in Poesias project is held in partnership with South Korean photographer Benjamin’J. I am choosing places in Toronto that express strong emotions in me to perpetuate in photography and poetry this intense perception of the city.

We do not determine schedule, we will let our freedom explore your feelings of waiting for new publications. Welcome always, I have a collection of words for you!

This is the first poetry. It’s about where I live, York. I walked parallel streets to mine, I went to watch the sunset on an impressive staircase and several times I passed the door of the cemetery where people do physical activities and pic-nics.

With you: Neighborhood.

I

lost sleep, maybe it was really
To write strong emotions
And reach the heart of brave,
Of those who are not afraid
Of life and its offerings.

Today I watch trees everywhere.
The streets are full
Of people and joys,
Gray and white phase is over
Given by natural programming
From this immense territory
Of opportunities and joys.

The expectation of living
And the reality of feeling
They are gifts
And that’s why I’m fearless.
Always looking at the horizon
Who can not define me.

In the neighborhood I can observe
The eternity
And the way culture betrays
The most modest paradigms,
Right and wrong
The old and the new
The modern and the archaic,
The green and the gray
Summer and Winter
The sun and the snow
The cold and the heat.

Although in my life
The most intense cold
Not able to turn off heat
What is in me,
I am fire and have the Spirit in me.

In my neighborhood many trees
And where should I be discouraged?
There is communion,
This shows the community context
And society of this blessed place.

Aim for the horizon
And follow with your head held high
Always be the best decision
And the best way to take,
I decided to live and I flew
Today I write from here,
That’s why I wake up at dawn.

Not out of fear of the cold,
A little for the lack of the beloved.
Early morning agreement
To hear what you say
My heart.

Dreamer

I dreamed that it could be
Whoever my imagination formed,
My graduation is in creativity.
And I specialized in high flights
On the slopes that life gives.

Not always is my truth eternal,
My life changes with an exchange of clothes,
Only my mood could find
Certain harmony.

Life guided me with a star,
So that I could sail without fear
Through the deep waters of metamorphosis
Of the feelings intrinsic to me!

Vandalism

When looking at the sky
I realize the loneliness of the stars
That in my eyes
They seem so connected.

The near and far are so relative …
What is impossible
To an immortal heart?

In such moments
The body vandalizes the psychological,
And reflected by the members
All pain.

Memories are comfort of joy,
But everything I wanted
He was losing me in his arms.
On another night,

In the fire of passion.

Navegante

* Para uma pessoa especial *

Meus dedos querem navegar
Por entre estes teus cabelos pretos
E em pensamentos flutuar
Desbravando este tempo.

Teus lábios em choque com os meus
Acenderam o alerta de perigo,
Mas de nada tenho medo,
Imagina então do amor.

Me lanço no espaço desse abraço
E perco a noção da realidade,
Pois desejo viver nestes braços
E me encontrar em seu olhar.

Não há distância suficiente
Para separar a emoção que sinto
Em abrir o seu sorriso delicado
Tão próximo deste meu.

Que sua mão esteja sempre junto a minha,
Vou te levar para viajar
E transportarei em um único beijo
Você pelo céus e mar.

Caso seja impossível para você,
Para mim nada é inalcançável,
Pensarei forte e com carinho
Para assim te teletransportar em mim.

Ainda bem que te quis assim,
Se não fosse tão real e verdadeiro
Deixaria de conhecer o universo
Que existe em você.

Na ternura destes dias eu vivi
Algo que jamais pudesse imaginar,
Ainda bem que te conheci
E reaprendi apaixonar.

Na velha história o navegante
Que saiu para o mar,
Um dia voltou aos lábios
De quem ficou a esperar!

Déjà-vu

O que eu quero com você?
Um abraço
Um beijo
Uma noite
Um desejo
Talvez a eternidade
De uma vida inteira
Ou de um segundo.
Quero a verdade de sua nudez,
Nesses pensamentos
Que não saem de sua cabeça,
Tão puros em paixões eloquentes.
Quero meu céu em degradê,
Que seja a aurora boreal,
Num outono de folhas secas pelo chão.
Quero que seus olhos se percam
No prazer da minha presença
E que seu arrepio seja sempre
Meu melhor déjà-vu.

O Verbo de Platão

No simples fato ocorrido,
Há filosofia do verbo usado.
Como se nada parecia,
Acontecia e ninguém via;
Talvez pré-socráticos
Fossem também detentores
Da teoria confortável dos céticos,
Idolatrando o mundo das perguntas
E esquecendo que a verdadeira resposta
Está nos lábios que esta sedenta boca
Saliva de vontade e desejo
De beijar profundamente
Intensamente
Eternamente enquanto houver
Estrelas no céu…
Para viajar pelo universo,
Guiado pelo amor
– este o verbo –
De um envolvimento tão intenso
Que a última tempestade
Quase apagou.
Quase, bem claro de se ler e sentir
Aí do outro lado,
Onde pudera ouvir o verso oculto
Que guardei por aqui.
Platão deixou bem claro
O que queria desde o início, enfim,
E faz pagar os pecados
Aqueles que se perderam
No mundo da reflexão;
Ainda bem que legou ao planeta
Uma conversa interessante
Sobre o amor.
Hermenêutica a parte,
Pega mal falar aqui.