O Verbo de Platão

No simples fato ocorrido,
Há filosofia do verbo usado.
Como se nada parecia,
Acontecia e ninguém via;
Talvez pré-socráticos
Fossem também detentores
Da teoria confortável dos céticos,
Idolatrando o mundo das perguntas
E esquecendo que a verdadeira resposta
Está nos lábios que esta sedenta boca
Saliva de vontade e desejo
De beijar profundamente
Intensamente
Eternamente enquanto houver
Estrelas no céu…
Para viajar pelo universo,
Guiado pelo amor
– este o verbo –
De um envolvimento tão intenso
Que a última tempestade
Quase apagou.
Quase, bem claro de se ler e sentir
Aí do outro lado,
Onde pudera ouvir o verso oculto
Que guardei por aqui.
Platão deixou bem claro
O que queria desde o início, enfim,
E faz pagar os pecados
Aqueles que se perderam
No mundo da reflexão;
Ainda bem que legou ao planeta
Uma conversa interessante
Sobre o amor.
Hermenêutica a parte,
Pega mal falar aqui.

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Coltrane

John-coltrane

Escutando Coltrane

Como uma fuga à realidade,

Vejo a fumaça esmaecer

As luzes da cidade

Agora cheia de cinzas

Do episódio ali retratado.

Até parece uma analogia

Ao pecado,

Imposições sarcásticas

De influências religiosas

Num estado laico

Por direito adquirido.

Luzes acesas e as cinzas

Caindo como flocos de neve.

Talvez fosse o caração

Dando sinal de fraqueza

Num momento oportuno

Para ser forte.

Tudo fica confuso demais,

Parando para refletir

Tudo sempre foi

Confuso demais.

Deve ser porque vez ou outra

O planeta vira de ponta cabeça

E roda demais…

De mãos dadas

E atadas a pensamentos,

Um grito ensurdecedor de um saxofone

Pode levar aos mais eternos

Entretenimentos astrais.

Aeroporto do Destino

Ele nasceu pra voar e sabia disso,
Se coçava como cão sarnento
Quando estacionava-se no angar.
A vida na sociedade
Era um eterno estacionar,
Ainda assim a vida era quase irritante
Insistindo em prosseguir.
Haviam alguns anos
Algumas quedas deixaram marcas
Em sua carcaça e história.
Há lucidez nessa vida
Ou só mais um nó.
Ele era vida e estava preso
Era vitória e conhecia de perto o fracasso
Não tinha medo
E sim pedras amarradas em seus pés;
Avião ancorado
Tipo barco no mar
Tipo eu e o turismo
Um destino a selar.

Os anos podem passar.
O avião, o barco, o mar
O turismo
Devem esperar
Se os mestres não conseguem
Engraxar por vez ou outra suas criações
Uma chuva, séria e turbulenta tempestade
Lavará a ferrugem
Energizando a fuselagem
Fazendo brilhar a máquina potente
Capaz de cruzar oceanos
E os mais densos universos!
Enquanto houver combustível,
Lágrimas nos olhos serão como a visão
Do cockpit em dias de chuva
E muita turbulência,
Com esperança
E dedicação suficiente para chegar ao foco.

Pousar com segurança
No aeroporto do destino.Ele nasceu pra voar e sabia disso,
Se coçava como cão sarnento
Quando estacionava-se no angar.
A vida na sociedade
Era um eterno estacionar,
Ainda assim a vida era quase irritante
Insistindo em prosseguir.
Haviam alguns anos
Algumas quedas deixaram marcas
Em sua carcaça e história.
Há lucidez nessa vida
Ou só mais um nó.
Ele era vida e estava preso
Era vitória e conhecia de perto o fracasso
Não tinha medo
E sim pedras amarradas em seus pés;
Avião ancorado
Tipo barco no mar
Tipo eu e o turismo
Um destino a selar.

Os anos podem passar.
O avião, o barco, o mar
O turismo
Devem esperar
Se os mestres não conseguem
Engraxar por vez ou outra suas criações
Uma chuva, séria e turbulenta tempestade
Lavará a ferrugem
Energizando a fuselagem
Fazendo brilhar a máquina potente
Capaz de cruzar oceanos
E os mais densos universos!
Enquanto houver combustível,
Lágrimas nos olhos serão como a visão
Do cockpit em dias de chuva
E muita turbulência,
Com esperança
E dedicação suficiente para chegar ao foco.

Pousar com segurança
No aeroporto do destino.

Freud Explica, compondo uma canção.

Mesmo assim
Enquanto o lá procurava
Uma afinação,
O mundo conspira em si menor
Para o eufemismo da vida!

O sol era a vida.
Ponto final.
Não há sentido em letras
Nos papéis que se entregam
Em plena luz do dia.

Nativo da cultura nacional
Sentia o sangue ferver,
Mesmo assim
O acorde não são tão sonoro
Nada mais era como antes
Antes fosse tudo como quando
Ria-se a todo instante
Ansiedade que mata
Somos todos santos
E demônios dentro de nós mesmos.

Aonde está a melodia
Escondida da vida,
Entretanto se contorcendo no palco,
Brincando de felicidade
No palco da ilusão.

Raramente alguém se entrega
Como o poeta a sua canção,
É como se um fizesse parte do outro
E mesmo assim não saber
Quem é quem
Nesses dias tão desleais.

Amanhã será sempre um outro dia para compor
E a rosa há de clamar pelo amor
Da chuva que cai nessa primavera
– Graças a Deus.
A extensão desse fá sustenido
Antes do sol se pôr
Desenha em pensamentos angelicais
O puro e verdadeiro amor.

Há saudades de muito tempo
Escondidas na escuridão,
Por isso que as vezes
Um tom menor dita as regras do jogo
Transformando música em emoção
De não saber qual a reação
Ao decifrar os códigos padrões
Freudianos, porque Freud explica.

Uma Bossa Nova para dormir

Eu não tenho medo de cantar desafinado
Tenho coragem de te olhar nos olhos
E na intensidade te acordar com um beijo
Estando no infinito ímpeto desejo.

Escancarada a voz de um imortal
Aos poucos registrando no eteno
Não há paixão com entrega registrada e data certa
Assim prefiro o big bang desse momento.

Uma bossa nova finaliza a noite de saudades
Que alegra a simplicidade desse coração de poeta
Há vida na estrada que percorro ao descobrir
Dia-a-dia esses beijos sensacionais.

A primavera chegou me proporcionando a oportunidade
De explorar mais um ano de vida
Floresceu esse jardim de gramas verdes cintilantes
A flor bela que encanta!

(…perfumando esse admirador!)

Vida de Cão

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E quando tudo transita para começar dar certo

Um balde de água fria acorda o cachorro

Que sonhava acordado com um grande feito,

Roer e roer o seu osso

(ainda que fosse impossível,

Por ser duro de roer).

 

E tacam pedra no cachorro

E tacam fogo no cachorro

E tacam água fria no coitado…

Já não bastava ele mais solitário em seu canto

Tinham que dar risadas maldosas

Ao sofrimento daquele vira-lata.

Virando latas a procura do sonho perdido,

Talvez queria ele apenas um frango frito.

 

O tempo é uma incógnita. Incrível!

Por vezes alguém vinha alimentar o cão carente

Com alegria

Com entorpecente.

Por vezes vinham alimentar

Com carinho e compaixão.

Mas isso era só as vezes.

Bem as vezes.

 

Antigamente ele tinha pedigree

Hoje não tem forças nem mais para reagir,

Cansou de latir.

Seja por desespero, medo ou raiva

A angústia tomou conta daquele corpo

E dilacerou sua alma

O tornando atônito.

A vida quis assim…

 

Coitado daquele cão,

Que ganhou na competição uma estrela

E que hoje vive na amargura

Servindo de piada

Àqueles que detonam sua estrada.

Em um assobio se coloca à prontidão,

Sendo o melhor amigo

Daqueles que nunca lhe estendem a mão.

 

Cão!

Oi!

Au, au…

Mar Envolvente

Em busca da terra encantada
Encontrei em curvas teus lábios
E conheci o paraíso que habita
Nesse beijo pudico, encaixado em simetria

O boa noite virou bom dia
E esses olhos se enchem de alegria
Ao saber que irá permanecer
Por longas e longas noites de prazer

Talvez assim você desbrave
Emoções desconhecidas
E descubra a sensação
De se jogar neste mar que te envolve